Resumo:
A saúde mental é apontada como o principal problema de saúde do Brasil por 58% dos entrevistados, segundo o Monitor da Saúde 2026, da Ipsos. O índice subiu de 52% na edição anterior e supera a média global de 48%. Entre as mulheres, a proporção chega a 68%, enquanto entre os homens é de 47%.
Pesquisa Ipsos mostra que 58% dos brasileiros apontam a saúde mental como principal problema de saúde do país, acima da média global de 48%.
O Monitor da Saúde 2026, da Ipsos, ouviu 22.528 adultos em 32 países entre 13 de julho e 7 de agosto, cerca de mil deles no Brasil. Entre os brasileiros, 58% apontaram a saúde mental como o principal problema de saúde do país. Na edição anterior, eram 52%. A média global ficou em 48%. Entre as mulheres, o índice chega a 68%, contra 47% entre os homens.
Vale observar o que a pergunta captura. Ela trata da percepção sobre o país, e percepção se move com cobertura de imprensa, campanha de conscientização e discussão regulatória. A entrada em vigor da NR-1 sobre riscos psicossociais, muito noticiada ao longo do ano, ajuda a explicar parte da alta de seis pontos. A leitura de que o país adoeceu 6% em doze meses não se sustenta nesse tipo de levantamento.
A diferença de 21 pontos entre mulheres e homens comporta mais de uma explicação. Dados do INSS mostram concessão maior de benefícios por transtornos mentais a mulheres, o que sustenta parte do resultado. Outra parte vem do padrão de procura por atendimento: homens buscam menos serviços de saúde em geral, e esse comportamento se reflete também em pesquisas de opinião.
Há um terceiro dado que precisa entrar na conta. No mesmo período, os afastamentos por transtornos mentais caíram 13%, segundo registros oficiais. Afastamento depende de perícia, laudo e da decisão do trabalhador de se afastar, variáveis que respondem ao mercado de trabalho. Com insegurança no emprego, pedir afastamento fica mais caro para quem adoece. A queda pode indicar melhora real, mudança de critério pericial ou subnotificação, e os dados disponíveis hoje não permitem escolher entre essas hipóteses.
Para Caroline Macarini, psicóloga (CRP 06/156341) e cofundadora da Unolife, o levantamento tem utilidade prática limitada para quem precisa agir. Empresas obrigadas a cumprir a NR-1 trabalham com diagnóstico próprio de riscos psicossociais. Gestores públicos dispõem de dados de rede. O número da Ipsos ajuda a dimensionar demanda e a justificar prioridade orçamentária, embora não substitua medição local.
A avaliação da Unolife é de que o tema ganhou espaço no debate público em ritmo mais acelerado do que a oferta de atendimento. Enquanto essa distância se mantiver, o aumento da preocupação seguirá aparecendo em pesquisa sem efeito equivalente nos indicadores de tratamento.
Sobre a Unolife
Healthtech brasileira fundada em 2020, com sede em São Paulo. Conecta pessoas a nove especialidades de saúde e bem-estar online, com profissionais de registro ativo nos respectivos conselhos. Atende brasileiros no Brasil e no exterior. Mais em unolife.com.br.
Caroline Macarini é psicóloga (CRP 06/156341) e cofundadora da Unolife, com mais de 14 anos de atuação em comportamento humano, desenvolvimento emocional e relações. Ao longo da carreira, acompanhou indivíduos, líderes e equipes tanto na prática clínica quanto no contexto organizacional. Acredita que saúde emocional e autoconhecimento fazem parte da vida cotidiana às relações e transições que moldam quem somos.




